quarta-feira, 22 de setembro de 2021

uma carta pra mim mesma

 eu acho que demorei admitir que sou um fracasso para relacionamentos amorosos, apesar da obviedade e da clareza de tal fato

não quer dizer que eu não seja uma pessoa sensacional, amiga, companheira e fiel
quer dizer que apesar de todas essas características louváveis, de nada adiantam, pq eu sou completamente disfuncional quando se trata de amor 
estou envolvida e mergulhada por uma tristeza profunda proporcionada e patrocinada pela ajuda do meu útero, que teima em ser completamente descabido em um período do mês em que os dias parecem infinitos e as horas dormidas muito curtas
a tpm vem, com ela vem toda a avalanche que existe de sentimentos ruins e não tão empoeirados, visto que estiveram aqui outrora no mês passado 
o descontrole chega e com ele a vergonha de ser assim
a dor que as vezes mansa e distante bate com força e destrói cada pedacinho do meu peito em choros descontrolados e sem nenhuma razão aparente ou gatilhos que lhe dessem força 
a verdade é que a ansiedade bate desproporcional com uma intensidade digna de cinema e o movimento se repete. manda mensagem. liga o modo avião. desliga o modo avião. vê se chegou mensagem. liga o modo avião e assim vamos. às vezes mandando mensagem sem mesmo que as outras fossem respondidas tamanha ansiedade pela resposta e pela atenção 
o desejo é de sumir, de ir pra bem longe, de apagar um passado que não se muda e não se apaga
 a angústia por uma resolução que traga alento pro meu coração cheio de dores torna o processo ainda mais difícil 
o fato é que, eu me envergonho de mim, me envergonho de quem sou, me envergonho de não ter controle, de não ter capacidade de lidar com todos esse sentimentos e emoções que cortam a minha pele procurando espaço maior que apenas meus poros para respirar
e me vejo envolta em choros e tristezas que não vejo solução nem o mínimo de contentamento 
e a realidade é essa. 
não sei ser saudável e funcional no amor.
não sei como agir.
não sei como não ser desesperada.
não sei como não cobrar atenção 24h por dia.
não sei como não exigir demais.
não sei como não querer falar com a pessoa o tempo todo.
não sei parar de olhar pra tela esperando uma notificação que nunca vem.
é duro admitir que por tanto tempo coloquei o erro em outra pessoa enquanto o erro sempre esteve em mim
em mim que nunca soube lidar com isso e administrar isso de forma saudável e continuo sem ter a mínima ideia de como realizar tal proeza
eu sei que eu odeio absolutamente todas as sensações que eu sinto
o desespero, o medo do abandono, a ansiedade, o fato de perder o controle 
a única vontade viva e permanente é de sumir
de desligar tudo por um longo período e voltar quando já não existir mais nada e mais ninguém que possa um dia se recordar do que viu 
esse medo da vulnerabilidade, mas nao aquela saudável e tão famosa que desperta pessoas para um crescimento pessoal
é essa vulnerabilidade de se mostrar doente e sem controle
de se mostrar completamente louca e disfuncional
e eu estou assim
completamente louca e disfuncional

domingo, 19 de abril de 2020

que falta

você se foi e eu não vejo mais como preencher o buraco que você deixou
parece que não existe eu sem você
e eu não sei o que fazer com esse vazio


Publicado em
19/04/20 00:25

domingo, 28 de abril de 2019

2019

mais de 10 anos de blog
eu tinha 14 anos quando postei aqui pela primeira vez
escrevi mexer com ch no meu primeiro post aqui cheio de emojis e uma luíza que nem recordo como era
atualizando apenas pra colocar um ano diferente na coluna à direita (depois de esquecer o e-mail vergonhoso e a senha pior ainda que utilizei para conseguir logar)
e também pra me lembrar de pegar meus textos salvos no word de quando eu tinha 14 anos e jogar aqui pra modo de ter mais um lugar pra salvar

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Escrevendo.

Escrevo há tanto tempo e até hoje não sei bem exatamente qual o meu jeito de escrever. Pra falar a verdade, de uns bons tempos pra cá, tenho escrito muito pouco. Na verdade, sinto que os temas das quais sempre escrevo simplesmente não há mais o que falar. Na verdade, até há. Mas eu acabo escrevendo sobre as mesmas coisas sempre. Alguns fatos dos quais eu escrevi, pareço então enfim ter colocado um ponto final. Pena que não dá forma que eu gostaria. O ponto final existiu apenas pelo cansaço de insistir em algo que não há mudanças. Outros temas, no entanto, são mudanças em mim que não acontecem e sigo na luta por tentar passar. Só não sei como. E outros temas, bem... Diríamos que me falta pessoas para inspirar. Sigo então, como sempre, escrevendo sobre alguém inexistente e altamente idealizado. Mas escrevo.  Pretendo continuar escrevendo. E talvez essa metalinguagem caia bem e oportuna por agora. Agora. Tenho várias coisas das quais gostaria de escrever e talvez reler isso aqui me ajude a organizar os próximos textos. Acho que um passo importante seria valorizar o que escrevo entendendo que cada texto se encaixa perfeitamente no momento em que o escrevo. Tenho mania de reler tudo e achar uma bosta. Mas não é. Não era bosta quando o escrevi, então devo respeitar que cada coisa tem seu tempo. Por hoje, quero encerrar com a seguinte pergunta:

Amadurecer é não se preocupar mais em ser compreendida?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Vacilo.

Ele ligou de um número desconhecido.
Era meio óbvio que eu não iria atender, mas ele sabia que eu estava mudando em relação a isso. As vezes pode ser emergência e não atender número desconhecido antes já havia sido um problema. 
- Alô
- oi
- oi...
- pensei que você nem fosse atender
- e eu nem ia mesmo... Número novo?
- não! Pensei que se eu ligasse do meu você não atenderia. Mas depois pensei que isso era meio idiota. Mas já tinha tocado uma vez. 
- é idiota mesmo
- você não gosta de atender ligação de ninguém, meu número... Ah sei lá
- AHAHAH ok, eu não sei se atenderia. Mas nao por ser você, mas por nao gostar mesmo.
- uhum... Entao... Eu te liguei pq preciso muito falar com você 
- hmm
- tipo, eu juro que eu tinha um texto ensaiado, mas não sei o que falar pq na verdade
- você ta bêbado? 
- Hahah sim, um pouco
- certo
- mas não to te ligando só pq eu to bêbado, faz dias que isso me martela 
- bebida dá coragem, né
- aham, isso. Cara... Eu quero muito encontrar com você. Eu preciso muito te pedir desculpas pessoalmente, manja. Mas eu tô sendo sincero, eu tô sem coragem, eu tô muito arrependido. Eu tenho pensado demais em você e em tudo o que aconteceu, tenho me chamado de idiota do nascer ao por do sol. Eu sei que você me perdoa pq você tem esse coração ai bom, não vai deixar nenhum babaca feito eu tirar sua paz, mas eu sei que tirei. Eu sei que por algum tempo e não sei se ainda está assim, você ficou magoada comigo. E eu to muito triste com isso. Eu não queria ter feito, mas eu fiz. Entao ok eu nao tem como corrigir e eu sei que sou um babaca
- sim, você é um babaca haha
- você tem saido com alguém? 
- ahm
- tá eu sei que eu não tenho o direito de te cobrar isso, mas eu preciso me sentir pior ou melhor sei lá
- não sai com ninguém não
- sexo?
- nops
- beijo?
- não
- ficou bebada?
- nao 
- bebeu?
- só água e suco 
- você não fez merda nenhuma?
- não
- puts
- se eu tivesse feito te faria sentir melhor? Ahaha 
- sim... Sei la...
- desculpa mas eu não posso te desapontar com isso
- tô pior
- eu sei
- me perdoa
- tô nesse processo
- nao acredito que eu nao me casei com você 
- pois é
- que merda
- va-ci-lão ahahan
- a gente pode marcar de sair?
- não sei se é uma boa... Eu ser assim nao significa que isso tudo nao me machucou e que eu não precise do meu tempo também. Você foi e é um babaca, eu não fiz nada de errado pra te esquecer, você desde o início sabia como eu era e sou.
- você é maravilhosa 
- sou mesmo
- nunca vou me perdoar por te perder 
- eu sei 
- vamos sair
- ok
- almoço amanhã? Eu te busco depois da aula
- ok
- te amo
- ok
- para de falar ok eu to destruído 
- ...
- ta, amanhã a gente conversa melhor 
- tá bom, tchau
- te amo, tchau
*click*
O t a r i o 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Nem pensei

Pensei umas coisas.
E pensei umas coisas erradas.
Pensei que com você fosse mais fácil a caminhada.
Perdi o tempo te esperando pela estrada.
E não venham me dizer que estou errada.
Teria sido bem melhor ter te deixado na beirada.

domingo, 20 de julho de 2014

Eu sabia.

Se eu soubesse que te esqueceria, teria escrito todos os dias.
Se eu soubesse que te esqueceria, teria desenhado teu rosto em todos os lugares.
Se eu soubesse que te esqueceria, teria feito daquele domingo ensolarado algo diferente de mais um dia monótono.
Se eu soubesse que te esqueceria, teria te falado todos os dias que seria para sempre.
Seria mesmo.
Mesmo depois de tudo.
Mesmo depois de esquecer.
Para sempre.